Tem uma agroindústria que, todo dia, recebe uma pilha de documentos que precisam virar dado dentro do sistema. Notas, registros, apontamentos. Informação que já existe, pronta, escrita no papel.

Por anos, esse trabalho foi feito do jeito mais custoso que existe: na mão.

Alguém abria o documento, lia e digitava o conteúdo no sistema. Campo por campo. E como a digitação manual erra, muita coisa precisava ser conferida e refeita mais de uma vez para fechar.

Quando uma operação chega nesse porte industrial, a suposição natural é que o gargalo dessa etapa esteja em algum sistema que falta integrar.

Não estava.

O gargalo era um humano redigitando, todo dia, uma informação que o documento já trazia escrita.

Some os custos disso. O tempo de gente qualificada gasto digitando em vez de analisar. O apontamento impreciso, que entra errado e contamina o relatório lá na frente. E a lentidão: enquanto o dado não termina de ser digitado e conferido, ninguém decide com ele. A informação fica presa no meio do processo.

Cada documento redigitado é tempo gasto duas vezes na mesma informação.

Numa operação que depende de números confiáveis para decidir, esse buraco custa caro porque se disfarça de tarefa normal. "Sempre foi assim, alguém sempre lançou." Vira paisagem.

A leitura mais fácil seria contratar mais gente para dar conta do volume. Mais mão para o trabalho manual. É o reflexo de sempre: o problema cresceu, então bota mais gente fazendo a mesma coisa.

O caminho foi o contrário.

Antes de qualquer coisa, olhamos para a tarefa em si e perguntamos se ela precisava ser feita por uma pessoa. A informação estava no documento. O sistema sabia receber dado estruturado. No meio, só havia a digitação.

"Por que alguém precisa redigitar o que o documento já diz?"

Rafael Mocelin, CTO da Alfa

A resposta mudou a solução. Não faltava mais gente. Faltava deixar o próprio documento entrar como dado.

Foi o que se construiu.

Uma leitura automatizada de documentos, usando reconhecimento de texto, OCR e análise por inteligência artificial. A tecnologia reconhece e converte o texto presente em imagens, PDFs e documentos digitalizados em informação editável, pesquisável e pronta para entrar no sistema. O papel deixa de virar digitação e passa a virar dado direto.

Os ganhos foram diretos. O retrabalho de digitar e reconferir acabou. O tempo da equipe, antes consumido no teclado, voltou para a análise. E o apontamento ganhou precisão, porque o dado para de depender de quem está atento naquele momento.

A informação que antes esperava a fila da digitação passou a ficar disponível com agilidade para quem precisa decidir.

Repare no que aconteceu de fato. O sistema que eles já tinham continuou sendo o sistema. Nada foi jogado fora. O que mudou foi a forma como o documento chega até ele, de digitação manual para leitura automática. A tecnologia passou a fazer o trabalho repetitivo, e a pessoa, o trabalho que exige cabeça.

Esse é o ponto que separa duas formas de prestar serviço de tecnologia industrial.

Uma olha para o volume e propõe mais braço. A outra pergunta se aquele braço precisava estar ali, e devolve a pessoa para onde ela rende de verdade.

A maioria das operações industriais tem hoje alguém digitando o que já está escrito em algum lugar. Conferindo duas vezes o que poderia ser lido uma vez, certo.

Não aparece no relatório de TI porque digitação não é "sistema". Aparece no custo de hora qualificada e no erro que volta no fim do mês.

Se você é CTO ou gestor de TI de uma operação industrial e leu isso reconhecendo uma equipe que passa o dia transcrevendo documento, vale parar dois minutos e perguntar quanto isso custa de verdade.